Spoiler-free review: Os Miseráveis (2012)


“Libertação não é liberdade; o forçado sai das galés, mas é perseguido pela condenação.”
- Victor Hugo



NOTA: Esta é uma review sem spoilers porque o filme ainda não estreiou no Brasil. E se alguém está se perguntando: não, eu não vi o filme de maneira ilegal!

Luta. Sonhos. Esperança. Amor. O “slogan” do filme, adaptação do aclamadíssimo livro de Victor Hugo, nos dava uma ideia do que esperar, mas deixa escondido atrás de cada palavra um turbilhão de histórias contadas da maneira mais tocante possível. A junção de todos esses elementos com os apectos técnicos fez o filme – e as lágrimas – fluir com facilidade e harmonia, até para quem não é grande fã de musicais (como a que voz fala).

A primeira coisa que me chamou atenção, que é um aspecto que eu nunca deixo de notar, foi a fotografia. Em primeiro lugar, porque tinha um quê de Piratas do Caribe, e isto sempre me conquista logo de cara. Apesar de ser um aspecto fácil de ser “dominado” por diretores experientes, me impressionei com o trabalho de relacionar os cenários com o tom da história, tornando tudo frio e escuro para que refletisse o momento histórico da França no momento.

A música, apesar de obviamente já esperado, foi mind-blowing do começo ao fim. O toque ao fundo foi guiando o espectador pelos altos e baixos, e as letras das músicas acabaram acompanhadas de muitas fungadas de nariz pela sala de cinema (minha contribuição foi distribuída durante o filme todo, really). E neste aspecto, a crew de Les Mis com certeza fez um ótimo trabalho se empenhando em preparar os atores, porque não tem nem o que reclamar da cantoria toda. Fica claro que todos passaram por um rígido processo para melhorar e polir a voz, e o resultado é um espetáculo com vozes dignas de ópera – tanto que as músicas foram cantadas ao vivo no set, feito em que Tom Hooper foi inédito e muito bem sucedido. O diferencial foi que os atores usaram pontos eletrônicos em que um piano tocava ao vivo fora do set, e acompanhava o cantor, sendo o som adicionado mais tarde na edição. Hats off também para Suddenly, a música escrita por Herbert Kretzmer e Alain Boublil e composta por Claude-Michel Schönberg especialmente para o filme.

Não dá pra elogiar todas as atuações separadamente. Simplesmente não dá, porque a única coisa que eu tenho pra dizer sobre elas é: esplêndido. Absolutamente esplêndido. Todas as cenas, independentemente de quem estava nela, me deixaram boquiaberta e sem piscar para poder absorver toda aquela maravilha. Mas vou tentar falar um pouco sobre a dinâmica de alguns grupos de personagens…

  • Fantine/Jean (Anne Hathaway/Hugh Jackman): Eu não sei se vocês lembram, mas no Oscar de 2009, Hugh – que estava apresentando a cerimônia – cantou e dançou com Anne. E foi naquele dia que muita gente conheceu não só o poder na voz dos dois como a incrível dinâmica entre eles. Quando soube que eles estrelariam Les Mis juntos, já foi meio caminho andado para que eu tivesse certeza que esse seria um dos meus focos preferidos – e não fiquei decepcionada. As histórias interceptadas de Fantine e Jean proporcionaram a tão esperada (pelo menos por mim) atuação de Anne e Hugh em conjunto, que foi lindamente performada em cada situação.
  • Jean/Javert (Hugh Jackman/Russell Crowe): Deus do céu, só tem ator bom nesse filme, não tem nem o que falar. É só você imaginar esses dois juntos que <3 Os dois cantando bem, sendo lindos e bons nas mesmas cenas, I can’t even. Sério, nem dá pra descrever, só fiquei abobada de olhos arregalados vendo os dois existirem.
  • Mr. and Mrs. Thénardier (Sacha Baron Cohen/Helena Bonham Carter): Bom, em primeiro lugar, que fique claro que eu tenho uma queda pela rainha Helena e, consequentemente, uma adoração por cada personagem dela. Mas de qualquer jeito, devo dizer que ela estava maravilhosa e engraçadíssima como sempre. Algo que me surpreendeu foi eu gostar da atuação de Sacha, que é um ator por qual atuação eu nunca fiquei muito animada para ver. Mas os dois juntos estavam ótimos, foi praticamente possível classificar o filme como comédia musical só por causa deles.
  • Jean/Cosette (Hugh Jackman/Isabelle Allen/Amanda Seyfried): No aspecto musical, não houve muita interação de Jean com Cosette quando ela era jovem, mas pudemos sim ver o poder na voz da pequena Isabelle, que fez tão bem quanto em sua atuação. Amanda, que assim como Anne também havia cantado com Hugh no Oscar de 2009, atingiu majoritariamente notas altas, que se encaixaram com harmonia na voz grave de Hugh e emocionaram pela história de Jean e Cosette juntos.
  • Cosette/Marius/Éponine (Amanda Seyfried/Eddie Redmayne/Samantha Barks): Dos três atores, eu só conhecia o trabalho de Amanda, mas nunca havia ficado altamente impressionada. Arrisco dizer que Les Mis foi o melhor trabalho dela até o momento, mas talvez foi mais pela grandiosidade do que lhe cercava do que do destaque que lhe foi dado. Eddie é um ótimo cantor e ator, de qualquer forma muito mais do que o que eu esperava para o personagem. E Samantha me encantou em cada segundinho que esteve na tela, com sua beleza delicada e sua voz doce, numa personagem apaixonante.
  • Marius/Enjolras (Eddie Redmayne/Aaron Tveit)/ Revolucionários: Os homens que se juntaram para lutar na Rebelião de Junho tiveram uma ótima dinâmica, tanto musicalmente quanto em atuação. Eddie e Aaron, como os líderes e idealizadores de levantes Marius e Enjolras, me fizeram pensar em certos momentos que deveriam estar no filme O Hobbit, pelas palavras incentivadoras e o espírito de grupo (não faz muito sentido, eu sei). Also, são dois lindos e fofinhos, por favor. Jovens atraentes lutando pelo país enquanto cantam esplendidamete é receita certa pro sucesso.

Então é isso guys! Espero que tenham gostado e, por favor, vão ver o filme. Sugiro que vão no IMAX se possível, porque é maravilhoso, mas se não der pelo menos vejam no cinema (Why Watch contra a pirataria!), pra dar dinheiro pra esse povo lindo que apesar de não precisar, merece e muito.

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