Review: Lincoln (2013)


Pode ser entediante e até chato para quem gosta de viver altas emoções e assistir a tiros, perseguições e mortes ou rir até cair da cadeira, mas se você tem um mínimo de apreciação por história e pela pura arte do cinema... CORRE.



Saindo do cinema com meus pais, depois da minha segunda e a primeira vez deles vendo Lincoln, ouvi o que eu já esperava: "É, até que é bom", "Mais ou menos". Eu concordei porque achei um comentário óbvio e provavelmente majoritário da população que assistirá ao filme, mas uma voz dentro de mim gritava: "Mas e a fotografia? E os figurinos? E a condução da história? E o desempenho de Daniel Day-Lewis? NÃO FOI NADA MAIS OU MENOS!"

Já começando pelo aspecto citado logo antes, Daniel é motivo o bastante para você assistir ao filme. Ele é um exímio ator, e se doa ao máximo em cada um de seus trabalhos, mas mesmo assim fiquei surpreendida. A calma com que ele pronuncia as frases, o jeito de líder que é ao mesmo tempo próximo do povo, e todos os trejeitos criados para o personagem nos fazem crer que estamos de fato vendo Abraham Lincoln na tela. A credibilidade, apesar de nunca termos ficado cara a cara com o real Presidente, dá um senso estimulante de realidade ao trabalho de Steven Spielberg. Daniel, que já ganhou duas vezes o Oscar de Melhor Ator, por My Left Foot e There Will Be Blood, foi indicado à categoria novamente – e, na minha opinião, tem grandes chances de ganhar.

O filme foca no segundo governo de Abraham Lincoln, em 1865. Quando ele foi reeleito, a Guerra Civil fervia no país todo. Os negros lutavam por igualdade de direitos, e Lincoln defendia a ideia de que a aprovação da ementa que declara todos os homens negros como livres seria o estopim para o fim da guerra. Lincoln mostra exatamente a evolução e a conclusão dessa luta, e todos os seus aspectos. Nos papéis coadjuvantes, mais dois ganhadores de prêmios da Academia: Tomy Lee-Jones, no papel do republicano radical Stevens, conduziu sublimemente o comportamento do político que era fervorosamente a favor do fim da escravidão, mesmo após ter sido forçado a declarar que só queria promover a igualdade racial, e não a igualdade de direitos. Sally Field interpretou a esposa de Lincoln, doando todo aquela drama que já vem no pacote quando ela é contratada para montar as cenas de conflitos familiares, não deixando de se mostrar uma mulher forte.

As principais tensões do conflito familiar são a perda do filho do casal, alguns anos antes por uma doença, e a luta de Lincoln e sua esposa para convencer o filho mais velho a não se juntar ao exército. Interpretado por Joseph Gordon-Levitt, aquele lindo maravilhoso que eu amo, Robert Lincoln está determinado a ser um militar e fazer diferença em meio à guerra, gerando discussões com seu pai, já transtornado pelos afazeres políticos. O equilíbrio das cenas também é fator de destaque. Além de vermos um pouco da rotina de Lincoln em casa, para quebrar o cenário político, somos também apresentados ao ponto de vista da oposição, com todas as suas discussões e planejamentos. Tais cenas funcionam em harmonia ao minuciosamente trabalhado cenário e figurino, fazendo de Lincoln não só uma imperdível lição de atuação, mas também uma obra de arte do cinema.

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